quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Não percebo de finanças


Eu não percebo nada de finanças. Sinto-me mais próxima do idoso que guarda as economias debaixo do colchão do que dos investidores que jogam com as taxas de juros e com o carrossel das acções para multiplicarem as suas poupanças, com a diferença considerável de que não tenho nada para meter debaixo do colchão! Só que esta crise dos mercados levanta-me algumas questões teóricas para as quais não encontro respostas satisfatórias.
Por exemplo, não compreendo porque é que o larápio que se apropia das economias do idoso leva com o habitual cortejo de castigos do aparelho repressivo estatal e o gestor que faz desaparecer as poupanças do investidor fica icólume. Não entendo porque é que os pobres que não conseguem pagar as prestações da casa são ignorados e os bancos ou as seguradoras, que é como quem diz "os ricos", quando não conseguem pagar as suas dívidas, são ajudados pelo Estado com o dinheiro que foi buscar aos pobres que não têm como pagar a casa.
Faz-me confusão, que sendo o Estado um mau gestor, como dizem à boca cheia, ele tenha de nacionalizar empresas para as salvar da gestão ruinosa dos privados, e daqui a uns meses ou anos, quando a saúde financeira dessas empresas estiver de novo em ordem, ele tenha de as reprivatizar para os mesmos privados, por tuta e meia, exactamente porque é um mau gestor...
Mas, claro, eu não percebo nada de finanças...

A CARA DA MUDANÇA

O povo americano revelou-se farto do rumo republicano e fê-lo votando numa democracia afro-americana. Para mim, um presidente negro nos Estados Unidos era uma imagem que pertencia exclusivamente ao domínio da ficção. Até ontem.
É impossível não pensar nas palavras de Martin Luther King aquando do brilhante discurso em Washington que viria a ficar gravado eternamente. "Eu tenho um sonho: que os meus quatro pequenos filhos venham a viver numa nação, onde não sejam julgados pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu carácter."
O novo presidente da casa branca veio mostrar que o tal dia sonhado chegou. Há cinquenta anos, um negro nem se podia sentar ao pé de um branco no autocarro. Neste preciso momento, nos EUA nascem meninos e meninas que crescerão num país governado por um afro-americano. Mesmo que as coisas não lhe correm de feição na dura missão que tem pela frente, até porque a tarefa não lhe será facilitada, Barack Obama já marcou a história e a nossa era.
Os americanos votaram na cara da MUDANÇA. Não votaram na cor da pele dessa cara. E nós, por todo o Mundo voltámos a acreditar. Na capacidade de MUDANÇA e na evolução da raça humana.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DE MIM SEI

De mim sei o que sei.
E nada sei.
Atómo
contido
das entranhas do mundo
parido
sem ritmo e sem lei!

Dormirei
Gritarei
sem eco
e
sem ouvido?


NÃO!

Os meus gestos soarão
Os meus braços se alongarão
Não sei em que espaço
Não sei em que amplidão.

Mas sei e saberei
que hei-de explodir
que deixarei de dormir
que de repente acordarei
à luz forte dum clarão.

Sei isto. E só isto sei.
Serei escravo, soldado, rei
No Mundo que há-de vir.

Átomo
contido
ferido
parido
sem ritmo e sem lei.

Mas tem de explodir
esse átomo
Na força incontida
duma Nova Criação!

Os estilhaços
ficarão esparsos
não sei em que amplidão.

Mas sei
- e só isso sei -
que o átomo que sou
explodirá e o seu estrondo
não será em vão!

As cinzas voarão
As forças se libertarão
No espaço
de um Novo Universo
em Expansão!

Tronco e Raiz

Sou o tronco
e a raiz
da árvore
que de mim próprio
fiz.

Sou mármore
rocha e granito.

Sou o imaginário
em que habito

Sou o caminhante
navegante
por estradas que ninguém pisou.

Sou o sudário
do meu rosto
que odeio
e de que gosto.

Sou o breviário
no caminho lendário
pelo qual ninguém
ninguém passou.

Sou o tronco
e a raiz
da árvore
que de mim próprio
fiz.