sexta-feira, 3 de outubro de 2008



Novas formas de Lazer e cultura

Assim como em outros países, a juventude alemã dá muita importância ao seu tempo livre. Apesar de a carga escolar e universitária ser bastante puxada, os jovens não abrem mão de actividades que lhes dê prazer e descomprometidas. As principais ocupações deste tipo são encontrar amigos, ouvir música, praticar desporto, sair com os amigos, ou, simplesmente, não fazer absolutamente nada.
A mídia exerce grande atracção sobre os jovens. Metade dos meninos e 40% das meninas preenchem suas horas livres navegando na internet, em frente à televisão, lendo jornais e revistas.
A Alemanha tem reputação de vanguarda no que diz respeito à vida cultural. Seja no campo das artes plásticas, do design, da música, do cinema ou do teatro, uma visita ao país é sempre uma óptima oportunidade de conhecer novas ideias e tendências, além de aprofundar-se em sua tradição histórico-cultural.
Cinema
Após anos de produções introspectivas e de filmes autorais de Rainer Fassbinder e Werner Herzog, o cinema alemão alcançou novos e mais largos horizontes com o filme “Corra, Lola, corra” (1998), do director Tom Twyker. A história de Lola, contada de maneira experimental, cativou plateias jovens de todo o mundo, ao conseguir sintetizar o sentimento de desassossego de uma geração.
Outros bons exemplos desta safra renovada são “Adeus, Lênin” (2003), de Wolfgang Becker, que tratou a queda do comunismo na Alemanha de maneira bem-humorada e acessível, e “Edukators” (2004), de Hans Weingartner, sobre um grupo que questiona de modo radical a ordem estabelecida. Coincidente mente, os três filmes têm personagens jovens nos papéis principais.
Pertencem à nova e internacionalmente bem-sucedida geração de atores alemães nomes como Franka Potente, Daniel Brühl, Julia Jentsch, Moritz Bleitreu, Til Schweiger e Alexandra Maria Lara.
Arte urbana
Berlim é, há muito tempo, um epicentro das artes plásticas não apenas na Europa, como em todo o mundo. A cidade vem atraindo cada vez mais jovens artistas de todo o mundo, e em especial dos EUA, cansados da saturação de mercados como Nova York ou Chicago. Os alugueis baratos e a atmosfera de efervescência multicultural da cidade são os principais motivos para se estabelecer em Berlim. Actualmente, o graffiti é uma das tendências artísticas em maior evidência na Alemanha.
A palavra graffiti vem do grego, e deriva do verbo “graphein”, que significa escrever. Os antigos gregos e romanos já tinham o costume de escrever e desenhar nas paredes de suas cidades. Os temas preferidos eram sempre aspectos da vida quotidiana, tais como inscrições em latim vulgar, declarações de amor, protestos, críticas e caricaturas de políticos e pessoas eminentes, além de representações de cenas da vida real, tais como ceias, festas, artesãos trabalhando etc.
Nos dias de hoje, o termo aplica-se a inscrições e desenhos feitos em paredes e em locais de domínio público. Há algum tempo, o graffiti, que em sua versão moderna existe há pelo menos 60 anos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, vem perdendo sua conotação de “vandalismo” e adquirindo cada vez mais status de arte urbana.
O graffiti moderno teve início em Nova York, nos anos 1970, como modo de os grupos de jovens da cidade demarcarem seus territórios. O artista nova-iorquino Keith Haring (1958-1990) foi um dos precursores do graffiti visto como arte. Ele, que inicialmente pintava sobre posters e os exibia em locais públicos, passou a desenhar directamente sobre paredes de estações de metro e a fazer intervenções artísticas sobre publicidades já expostas.
Actualmente o graffiti está presente nas paisagens de várias metrópoles em todo o mundo e é percebido por muitos como uma manifestação artística popular urbana.
Do ponto de vista artístico, Berlim, ao lado de Nova York, São Paulo e Barcelona, é considerada um dos principais cenários do graffiti mundial. Especialistas em arte urbana afirmam que o graffiti produzido na capital alemã, assim como nas outras cidades mencionadas, tem um estilo característico, de vanguarda.
O graffiti vem cada vez mais sendo reconhecido como uma manifestação artística legítima em vários países. Na Alemanha, por exemplo, a lei pune quem faz graffiti apenas se ficar provado que a actividade prejudicou ou deteriorou a estrutura onde ele foi feito. E em vários locais públicos a prática é legalmente permitida. Além disso, não se pode esquecer que a maior superfície grafitada do mundo foi o Muro de Berlim, em sua parte ocidental, em que milhares de pessoas deixavam mensagens com relação à divisão da Alemanha, à Guerra Fria e outros temas políticos universais.
Música
Nem só de música clássica vive a Alemanha. E foi justamente um músico educado nessa tradição que revolucionou de vez a música do século XX. Ao explorar a música dodecafônica, inventada por Schönberg, Karlheinz Stockhausen quebrou paradigmas musicais, expandiu fronteiras e influenciou directamente o Kraftwerk, grupo alemão apontado como os pais da música electrónica.
Desnecessário dizer que a tradição musical electrónica alemã continua até os dias de hoje, principalmente por meio de géneros como o techno e, mais recentemente, o electro. Berlim é conhecida mundialmente por sua vida noturna intensa, e a Love Parade, uma espécie de carnaval electrónico que já chegou a reunir 2 milhões de pessoas, em 2000, não poderia ter nascido em outro lugar.
O hip hop é um género que merece destaque. Importado dos EUA nos anos 1980, pode ser considerado um produto directo da cultura urbana alemã actual.
Como música de contestação e reivindicação de visibilidade social, o hip hop prega o fim do racismo e de preconceitos e almeja o respeito e o reconhecimento às diferenças de cor ou de nacionalidade. O discurso primeiramente atingiu em cheio os corações de filhos de imigrantes e de afro-alemães, que se sentiram representados quando até então sofriam crises de identidade e sentiam-se culturalmente excluídos da sociedade alemã. Logo, a própria juventude alemã passou a se identificar com os valores e a criatividade do hip hop e a protestar em coro contra o senso comum da mesma forma que os rappers americanos.
Hoje, o hip hop alemão desenvolveu identidade própria e tem seus próprios ídolos, como os alemães do Fantastischen Vier, Fettes Brot, Absolute Beginners, afro-alemães, como Afrob e Samy Deluxe e até mesmo indo-alemães, como Xavier Naidoo e Sabrina Setlur. Com o amadurecimento, as letras das músicas alemãs passaram a incluir na pauta temas políticos e de reflexão social, como a luta contra o racismo, contra o extremismo de direita e a valorização da mulher, além de enaltecer as qualidades do multiculturalismo alemão.
Outra surpresa é a de os grupos que cantam em alemão e cujo sucesso é grande entre a juventude, até então acostumada a consumir música feita em inglês, especialmente dos EUA ou Inglaterra.
As diferenças de estilo entre os grupos torna-os mais camaradas do que concorrentes, uma vez que a tendência do idioma alemão na música é benéfica para todos. Os principais nomes dessa nova onda são Wir sind Helden, Silbermond, Rammstein, Guano Apes, Nena – popularíssima nos anos 80, graças à canção “99 Luftballons” e de volta ao topo – e Seeed, grupo de reggae internacionalmente e reverenciado até na Jamaica.
Escolhi falar sobre a Alemanha, porque é uma forma de conhecer melhor a cultura deste país, tão longíquo e distante, o qual um dia gostaria de visitar!!

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